top of page
012_ostensivo.jpg

Ostensivo - croqui, 2018, nanquim sobre papel, 21 x 29,7 cm.

ostensivo

O segurança irá manchar as paredes do espaço expositivo usando somente o seu corpo, atestando sua presença ali.

Há um certo desvio na forma como um vigilante deve se portar em serviço. Quando isso ocorre, manchas em paredes podem ser vistas, amarronzadas, competindo com a visibilidade das obras de arte próximas a elas. Este desvio, caracterizado quando um segurança repousa seu corpo em uma parede, disfarçando prontidão, ocasiona ao longo do tempo marcas que facilmente testemunham sua contraconduta dúbia: o descanso em serviço. Ao mesmo tempo que a marca atesta o seu posto de trabalho prioritário, ela marca o escoramento do corpo que busca o mínimo de conforto. Se observarmos com atenção os lugares (centros culturais, museus ou outros equipamentos que fazem uso de segurança patrimonial), as manchas deflagram a rotina da movimentação do corpo no trabalho. Um local com mais manchas é um local prioritário de salvaguarda, necessitando sua presença por mais tempo ou até mesmo um posto fixo, o qual o corpo-seguro não poderá abandonar. É evidenciada uma cartografia cotidiana laboral.

 

Contudo, há ainda memória de outras manchas corpóreas que habitaram as superfícies de uma galeria: em Mugre, Rosemberg Sandoval carregou uma pessoa em situação de rua em seu ombro, adentrou um espaço expositivo e a esfregou em suas superfícies brancas. Sem a permitir encostar seus pés no solo, Sandoval utilizava-a para comentar sua própria inacessibilidade, sua condição como sem teto, ainda que, desenhando com sua sujeira as paredes e bases daquela exposição, tornava evidente que lúmpens podem servir aos interesses da elite - o que era como se, ao utilizar aquela pessoa, Sandoval apontasse tudo que o possibilitava fazer aquilo também.

 

Atenta aos espaços vazios quando sem vigilantes a postos, a Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda. apresenta seu mais novo trabalho para suprir as lacunas deixadas pela ausência de pessoal. Inspirada na forma como Rosemberg Sandoval transmutou a exploração de uma pessoa sem teto em valor no circuito da arte contemporânea, a empresa se dispõe a transformar o problema das manchas de seguranças em mais um diferencial em seus serviços. Por um tempo determinado e por dias determinados, os seguranças irão caminhar junto às paredes do espaço expositivo, tocando-as continuamente com seus corpos de terno. À medida que executam o serviço, será produzida uma mancha de caráter laboral e pictórico. Imprimindo lentamente suas presenças no que devem salvaguardar, os seguranças, mesmo ausentes, testemunhar-se-ão junto ao patrimônio. Portanto, de modo Ostensivo, comprovarão sua presença passageira.

Logotipo da Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda.

Este projeto foi fomentado pelo Programa Funarte Retomada 2023 - Artes Visuais

Régua de patrocinadores do site da Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda. Da esquerda para a direita, os logotipos das seguintes instituições: Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), Ministério da Cultura, Governo Federal - Brasil - União e Reconstrução

© 2025 Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda.

por Antonio Gonzaga Amador e Jandir Jr.

Desenvolvimento do site: Jonas Esteves

Tradução: Natália Lucas

bottom of page