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Espaços institucionais: cantos - croqui, 2017, nanquim sobre papel, 21 x 29,7 cm., coleção particular

espaços institucionais: cantos

O segurança estará voltado para um dos cantos do espaço expositivo e apoiará sua testa nesta quina, com o objetivo de evitar a queda das paredes.

Espaços institucionais: cantos é uma proposta performática na qual os artistas, trajando roupas de segurança, irão se colocar de frente para um dos cantos do espaço expositivo e apoiarão a testa nesta quina, com a intenção de evitar a queda dessas paredes. A performance tem um caráter contínuo, a ser realizada durante diversos dias e com tempo a ser determinado previamente.

 

Este serviço é uma atitude absurda dentro da prática de segurança patrimonial, mas coloca em visibilidade seus cuidados cotidianos por meio de uma ação concreta. Em outras palavras, já é sabido que as paredes do espaço expositivo não irão cair. O ato de segurar (em todos os sentidos que a palavra carrega) a parede com o corpo é uma ação desnecessária, mas levanta a questão de um ato diário de trabalho da salvaguarda que é: evitar que o dano aconteça. Porque, por mais absurda que possa ser a ideia das paredes caírem, se isso por acaso acontecer, iremos evitar.

 

Outra questão possível a ser apontada é a colocação dos corpos como metáfora de uma base institucional, um dos aparatos que sustentam a instituição, que, com sua ausência real, não conseguiria operar. Realização de um revés no sentido do que mesmo move e sustenta a instituição cotidianamente, com o desejo de provocar uma discussão sobre hierarquias institucionais e visibilidade. O que, de fato, sustenta a instituição? Quais os nomes em evidências e quais não o são?

 

A performance toma como referência direta o trabalho de Cildo Meireles, Espaços virtuais: cantos e, em particular, fotografias de pessoas junto a esse trabalho, que provocam a ilusão de que seus corpos estão atravessando paredes. Em diálogo, relembramos uma fotografia de Cildo meireles, usada como uma das imagens estampadas na capa do LP Sal sem Carne e em seu Zero Cruzeiro, de um homem voltado para a quina entre duas paredes de um hospício em Goiás. Sua narrativa diz que, por ter permanecido por mais de uma década com sua testa encostada nesse canto, dia após dia, durante seu período de vigília, criou uma depressão no muro de alvenaria; um buraco na altura de sua cabeça. A despeito deste dano causado pelo usuário do sistema de saúde mental, especulamos que sua presença ali é que pôde ter sustentado as paredes daquela instituição por tantos anos. Visto isso, nos dispomos a fazer o mesmo; permanecendo à margem, na interseção entre os limites da instituição, talvez sua área mais frágil.

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ABRE ALAS 14 [seleção e curadoria: Cabelo, Clarissa Diniz, Ulisses Carrilho], 2018, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ [foto dos autores]

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ABRE ALAS 14 [seleção e curadoria: Cabelo, Clarissa Diniz, Ulisses Carrilho], 2018, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ [foto dos autores]

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ABRE ALAS 14 [seleção e curadoria: Cabelo, Clarissa Diniz, Ulisses Carrilho], 2018, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ [foto dos autores]

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ABRE ALAS 14 [seleção e curadoria: Cabelo, Clarissa Diniz, Ulisses Carrilho], 2018, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ [foto dos autores]

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